Este espaço é desaconselhável a menores de 21 anos,
porque a história de nossos políticos
pode causar deficiência moral irreversível.

É a vida de quengas disfarçadas de homens públicos; oportunistas que se aproveitam de tudo e roubam sem punição. Uma gente miúda com pose de autoridade respeitável, que engana o povo e dele debocha; vende a consciência e o respeito por si próprios em troca de dinheiro sujo. A maioria só não vende o corpo porque este, além de apodrecido, tem mais de trinta anos... não de idade, mas de vida pública.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Que vença a franqueza, por mais rude que pareça


É comum as pessoas gostarem de ouvir mentiras, desde que lhes digam o que gostariam de ouvir.  Por isso, quanto mais mentimos e evitamos falar o que pensamos, mais amigos nós temos.  Nada melhor do que ter muitos inimigos! 
Ao General Figueiredo, minha eterna simpatia.

Jurema Cappelletti

  • "preferia cheiro de cavalo a cheiro de povo"
  • "Eu prendo e arrebento".
  • "daria um tiro na cabeça se tivesse de sobreviver ganhando salário mínimo."
  • "estilo de alguém que se definia como "rude e franco"
  • "Para não repassar a faixa presidencial a José Sarney, que considerava "um traidor", deixou o palácio pela porta dos fundos."
  • "Quero que me esqueçam". 
Em seu artigo, Augusto Nunes se refere ao livro  Tempos de Gangorra, escrito por Saïd Farhat sobre João Baptista Figueiredo.

  
Um homem a ser explicado
 - Augusto Nunes -

E explicar João Baptista Figueiredo, o último e o mais relutante dos generais a ocupar o poder, e o que Saïd Farhat, que conviveu estreitamente com o presidente no Planalto, se põe a fazer em Tempos de Gangorra
 
 
"Esses, pelo menos, não saíram daqui dizendo as coisas diferentemente do que conversamos", comentou com um assessor o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, chefe do Serviço Nacional de Informações do governo Ernesto Geisel, no fim da tarde de 31 de janeiro de 1978.

"Esses" eram Guilherme Figueiredo e Saïd Farhat. E "as coisas que saíram dizendo" foram as respostas dadas pela dupla às perguntas dos jornalistas interessados em saber o que haviam conversado por mais de uma hora o militar já escolhido para encerrar o ciclo dos generais iniciado em 1964, o escritor e teatrólogo que acumulava o posto de irmão mais velho do futuro presidente e o risonho acriano que suspendera as atividades de empresário e jornalista para dirigir a Embratur. O resgate do episódio é um dos momentos mais saborosos e reveladores de Tempo de Gangorra (Editora Tag&Line; 472 páginas; 45 reais), em que Saïd Farhat, como informa o subtítulo, apresenta uma "visão do processo político-militar no Brasil de 1978 a 1980".
O confronto entre o que ouviram os jornalistas e o que escutaram as paredes do gabinete no 4º andar do Palácio do Planalto sugere que, se gostou da lealdade dos visitantes, Figueiredo gostou mais ainda de como as coisas foram ditas e, sobretudo, do que os visitantes deixaram de dizer. A imprensa ficou sem saber, por exemplo, que Guilherme, então funcionário da Embratur, só invocou a necessidade de tratar de questões ligadas ao turismo para conseguir incluir na agenda a audiência, que em princípio duraria quinze minutos, em que apresentou Farhat ao irmão. Eles combinaram que Farhat tentaria, com a exposição de ideias e conceitos inseparáveis do liberalismo clássico, ajudar a pavimentar o caminho da abertura política que seria percorrido pelo quinto (e último) presidente do regime militar. A conversa a três invadiu sem cautelas assuntos perigosos demais para frequentar sem disfarces entrevistas coletivas.
Farhat confirmou que havia sugerido ao general alguns retoques na imagem. Mas omitiu o comentário de Figueiredo quando o aconselhou a abandonar as meias verdes que terminavam no meio da canela: "Qualquer dia, vocês vão querer que eu ande por aí de collant".
No noticiário do dia seguinte, graças à habilidade de um diplomata vocacional, clarins soaram como flautas, bumbo virou marimba e a batucada ficou parecida com um minueto. Reinterpretado por Farhat, Figueiredo pareceu bem melhor que na partitura original. O futuro presidente encontrara seu mais perfeito tradutor, mas Farhat soube disso só no segundo encontro, em 8 de junho de 1978, quando foi convidado ajuntar-se à equipe do candidato. Primeiro como "assessor polivalente", depois como porta-voz do presidente eleito, enfim como ministro da Comunicação Social do chefe de governo, Farhat conviveu intensamente, durante dois anos e meio, com "o homem que cumpriu o juramento de fazer deste país uma democracia".

 
"A devolução do poder aos civis ocorreu graças à teimosia de Figueiredo", garante Farhat. A declarada simpatia pelo personagem às vezes induz o autor a enxergar no desbocado oficial da Cavalaria um audaz cavaleiro andante. O olhar é amistoso, mas sempre honesto. O livro comprova que só um turrão incurável poderia completar o trabalho de desmonte iniciado por Geisel, outro teimoso de nascença. Os dois enfrentaram zonas de turbulência forjadas pela involuntária parceria entre ultraconservadores fardados incapazes de admitir a agonia do regime e oposicionistas sem paciência para avaliar o tamanho do perigo a um palmo do nariz. A anistia de 1979, por exemplo, descontentou a esquerda e açulou o ânimo beligerante da linha dura. E, à exceção de Tancredo Neves, revela Farhat, ninguém aceitou apertar a "mão estendida" por Figueiredo num dos primeiros discursos como herdeiro do trono.
Pena que Farhat não tenha detalhado as ameaças anônimas de que foi vítima, nem identificado claramente os liberticidas que seguiram em ação até a restauração da democracia. Mas os fatos que narra confirmam que, efetivamente, ele viu "o bastante para perceber quanto estivemos arriscados, mais de uma vez, a tudo perder". Farhat diz que lhe coube "verbalizar a vocação democrática do presidente e, sempre que encontrava caminho aberto, aprofundar razões, reduzir a escrito seu pensamento político, muitas vezes inexpresso". Fez muito mais do que isso. E foi muito além da repaginação que trocou João Baptista de Oliveira Figueiredo por João Figueiredo, demitiu os pesadíssimos óculos e, claro, mudou tanto a cor quanto o comprimento das meias.

 
Graças à insistência de Farhat, o oficial do Exército que chefiara em silêncio o Gabinete Militar de Emílio Médici e o SNI de Ernesto Geisel começou a conversar com jornalistas – e o país descobriu que o general caladão camuflava um presidente que falava até demais. Recorrendo a complicadas acrobacias semânticas, Farhat frequentemente teve de minimizar, traduzir ou revogar declarações que consolidaram o estilo de alguém que se definia como "rude e franco" .   Não foi fácil explicar por que o presidente preferia cheiro de cavalo a cheiro de povo. Ou por que daria um tiro na cabeça se tivesse de sobreviver ganhando salário mínimo. Ou, ainda, por que Figueiredo, depois de prometer a ressurreição da democracia num épico pronunciamento redigido por Farhat, brindou com a advertência famosa o jornalista que lhe perguntara o que faria se alguém se opusesse ao que havia prometido: "Eu prendo e arrebento".
Somados os governos aos quais serviu e o que chefiou durante seis anos, ninguém ficou mais tempo no Palácio do Planalto do que Figueiredo. Nunca foi feliz. Aceitou a contragosto a indicação para a Presidência, que qualificou sinceramente de "missão irrecusável". Para não repassar a faixa presidencial a José Sarney, que considerava "um traidor", deixou o palácio pela porta dos fundos. Longe do poder, enfurnou-se num apartamento no Rio de onde saía apenas para os fins de semana no sítio em Petrópolis ou para caminhadas solitárias no calçadão do Leblon. Quando percebia que alguém o reconhecera, evitava a interceptação com o mesmo drible: "Sou parecido com quem você está pensando, mas não sou ele". Até morrer, em 1999, perseguiu o desejo manifestado na entrevista concedida a Alexandre Garcia semanas antes de encerrar o mandato: "Quero que me esqueçam". Saïd Farhat preferiu esquecer o pedido, ouvir o apelo da história e lembrar o presidente que conheceu. O retrato produzido pelo livro ajuda a iluminar o começo da última etapa da viagem para longe das trevas.
*

 
 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

HOJE NA TV - Para recordar







ABRE A BOLSA E FECHA A BOCA



2005 
 
Simone Vasconcelos diz que mensalão era pago em DINHEIRO -
http://www.pstu.org.br/nacional_materia.asp?id=3980&ida=21


"Fica claro que o que estava contabilizado como “empréstimo ao PT”, valores que o próprio partido nega que pegou emprestado, é uma denominação fantasma para acobertar o pagamento de propinas a parlamentares de diversos partidos, inclusive da oposição burguesa.

Apesar de não ter afirmado a existência do mensalão, as declarações de Simone são peças de um quebra-cabeça que forma uma inegável paisagem de corrupção, de desvio de dinheiro público feito pelo governo Lula, para garantir a aprovação no Congresso de suas medidas neoliberais."

 
2012
 
BELO HORIZONTE (MG) - Ex-diretora da agência de publicidade SMP&B e braço financeiro da organização de Marcos Valério, a secretária Simone Vasconcelos recebeu no primeiro semestre de 2010 quase meio milhão de reais da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), repassados por meio do Instituto Mundial de Desenvolvimento (IMDC), ONG investigada pela Polícia Federal por causa de saques em dinheiro suspeitos de dinheiro vivo  às vésperas das eleições de 2010.

A operadora do sistema de distribuição de recursos a políticos criado por Valério — conhecido como mensalão — recebeu o dinheiro por meio da VMB Locadora de Veículos, empresa que abriu com o marido, Dimas de Melo Braz, no fim de 2009, e de onde despacha desde quando virou ré no processo que será julgado esta semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A firma funciona em uma sala em um prédio comercial que está sempre fechada, em Belo Horizonte.  Segundo os vizinhos de andar, o marido de Simone passa no local apenas para buscar correspondências. Os advogados de Simone garantem que a empresa funciona sublocando veículos de outras operadoras, e que ela é “modesta”. Procurado pelo GLOBO, o IMDC primeiro negou ter contratado a empresa de Simone. Depois, voltou atrás dizendo que a contratou para ceder 157 veículos ao Minas Trend Preview, evento de moda realizado semestralmente pela Fiemg, com o apoio do IMDC.


Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/brasil/braco-direito-de-valerio-recebeu-quase-meio-milhao-de-reais-da-fiemg-5637840.html#ixzz22KNHMdIP








 

terça-feira, 31 de julho de 2012

RESULTADO DO JULGAMENTO



 JULGAMENTO SERÁ TELEVISIONADO

Nos últimos dias têm sido feitas tantas tentativas de adiar o julgamento do mensalão que fica claro que o que querem os réus é mesmo não serem julgados,
contando com a prescrição de seus crimes.

 
 RESULTADO DO JULGAMENTO:  

CULPADOS - Quanto tempo os réus do mensalão podem ficar na prisão - http://exame.abril.com.br/brasil/politica/noticias/quanto-tempo-cada-reu-do-mensalao-pode-ficar-na-prisao

INOCENTES - Ficarão livres, mas seus nomes sempre serão lembrados com ligação ao caso do MENSALÃO.  Podem se livrar da prisão, mas não se livrarão da revolta que será provocada.  Principalmente se fizermos questão de lembrar sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre, sempre .............................

 
Recursos que foram usados ultimamente, na tentativa de se livrarem do julgamento que começará depois de amanhã  (dados retirados do artigo de Merval Pereira, na íntegra no final da página):

1- desmembrar e atrasar o processo;

2 - colocar o ministro Gilmar Mendes sob suspeição, incluindo-o em uma lista forjada de beneficiários do mensalão mineiro;

3 - pedido de vista do processo pelos advogados Márcio Thomaz Bastos e José Carlos Dias, sob a alegação de que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou na última semana um documento aos 11 ministros do Supremo ao qual a defesa dos réus não teve acesso.


4 -  alegarem ser inoportuno julgamento do mensalão durante o período eleitoral;

 
5 - a ministra do TCU Ana Arraes (ex-deputada federal e mãe do governador de Pernambuco, Eduardo Campos) reverteu uma decisão anterior do próprio TCU ;

6 -  Foi aprovada uma lei, cinco anos depois do fato acontecido, com o objetivo de legalizar a posse do dinheiro na tentativa de descaracterizar o uso do dinheiro público no esquema do mensalão.


Pressões, por Merval Pereira
É um sinal de que fez bem o Supremo Tribunal Federal em não desmembrar o processo, pois, sendo a última instância de nosso sistema judiciário, a decisão que sair de seu plenário é irrecorrível.

Se, com todos os cuidados tomados pelo relator Joaquim Barbosa para não atrasar o processo, ele levou cinco anos para chegar ao julgamento, imagine se a maioria dos processos estivesse tramitando a começar pela primeira instância do Judiciário.

Isso sem falar da tentativa rasteira de colocar sob suspeição o ministro Gilmar Mendes, incluindo-o em uma lista forjada de beneficiários do mensalão mineiro. Manobra tão primária que o suposto autor da lista, o empresário Marcos Valério, negou sua autenticidade em nota oficial.


A mais recente manobra da defesa é o pedido de vista do processo pelos advogados Márcio Thomaz Bastos e José Carlos Dias, sob a alegação de que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou na última semana um documento aos 11 ministros do Supremo ao qual a defesa dos réus não teve acesso.

Os advogados usam a justificativa de que a defesa tem a última palavra e precisam tomar conhecimento do que diz Gurgel para apresentar o contraditório.

Vários advogados consultados, no entanto, consideraram a manobra meramente procrastinadora, com pouquíssimas chances de ser acolhida.

O memorial que o procurador-geral Roberto Gurgel enviou aos ministros não é anexado aos autos e, portanto, não é um “novo documento” que precise ser analisado.

É comum os advogados fazerem tais memoriais às vésperas dos julgamentos, para facilitar o trabalho dos juízes, razão também alegada por Gurgel.

Um advogado lembra que todos os réus do mensalão fizeram seus memoriais e os distribuíram não apenas aos juízes do Supremo, mas também a diversos advogados e formadores de opinião.

O do ex-tesoureiro Delúbio Soares foi feito pelo advogado Arnaldo Malheiros. Já o ex-ministro José Dirceu, acusado pela Procuradoria Geral da República de ser o “chefe da quadrilha”, tem 16 páginas em papel cuchê.

Antes da tentativa dos advogados dos réus, outros cinco advogados de São Paulo, ligados ao PT, mas sem atuação direta no caso, haviam enviado à presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, um manifesto no qual defendem que é inoportuno julgar a ação do mensalão durante o período eleitoral, alegando “desequilíbrio, em desfavor dos partidos envolvidos”, pelo fato de que as sessões do Supremo serão televisionadas, e o assunto será tema dos meios de comunicação justamente durante a campanha eleitoral.

 
Como o assunto já foi, por óbvio, devidamente analisado pelo plenário do Supremo, que não viu impedimento para marcar o julgamento a começar nesta quinta-feira, dia 2, esse é outro movimento que se destina mais a pressionar o Tribunal do que a ter efeito prático.

Outra pressão externa sobre o Supremo veio nada menos que do Tribunal de Contas da União.  Surpreendentemente, com base em uma lei aprovada em 2010 e às vésperas do início do julgamento do mensalão, a ministra do TCU Ana Arraes (ex-deputada federal e mãe do governador de Pernambuco, Eduardo Campos) reverteu uma decisão anterior do próprio TCU e considerou legais os contratos da agência de publicidade DNA, empresa de Marcos Valério, com o Banco do Brasil, mesmo não tendo o empresário mineiro devolvido os “bônus de volume” como previsto.

Para o advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, a nova decisão do TCU, atestando a legalidade da apropriação do bônus, deve ser analisada pelos ministros do STF.

O TCU havia constatado anteriormente que a agência de Marcos Valério não fazia o repasse dos “bônus” ao Banco do Brasil, embora essa obrigação estivesse estipulada em contrato, dando prejuízo aos cofres públicos de mais de R$ 106 milhões.

Esse dinheiro era uma das fontes do valerioduto que financiou o mensalão. O objetivo da lei aprovada cinco anos depois do fato acontecido é justamente legalizar a posse desse dinheiro pela agência de publicidade e tentar descaracterizar o uso do dinheiro público no esquema do mensalão.

A manobra é tão acintosa que o próprio procurador do TCU está recorrendo contra a decisão. Como o TCU é um órgão auxiliar do Congresso, e não um membro do Poder Judiciário, essa manobra caracteriza-se como uma jogada político-partidária e provavelmente não terá efeito direto na decisão dos juízes do Supremo.








CANALHICE É UMA DOENÇA CONTAGIOSA


No grupo do Facebook TENHO NOJO DE LULA, surgiu, repentinamente, um defensor dos mensaleiros, chamado Rori Gustavo Contino  (basta acessar o endereço acima da página e constatar).

Como canalhice é uma doença altamente contagiosa, que provoca até mesmo câncer (vide L.I., Chaves, Lugo, Orestes Quércia e outros), para evitar possíveis problemas ele foi imediatamente retirado.

 
NOTA:  Todos têm direito de acreditar e defender o que bem quiserem. Entretanto, quando o fazem publicamente, estão provando que além de acreditar no que dizem, não sentem constangimento algum em fazê-lo.  Por outro lado, da mesma forma que uns têm direito de dizer o que querem, os outros, caso queiram, têm todo o direito de constestar.

 
 
 

Artigo de FHC - Para que são feitas as leis?



Em artigo publicado no jornal, FHC comenta sobre a necessidade de os brasileiros ficarem atentos ao julgamento do mensalão, que começará depois de amanhã e será televisionado.

Dentre outras coisas, diz ele que "juízes julgam pelas leis", embora devam considerar a opinião pública.  

FHC esqueceu apenas de dizer o mais importante:  AS LEIS SÃO FEITAS PARA ATENDER AS NECESSIDADES DA SOCIEDADE, portanto, ao julgar baseados nas leis estarão julgando baseados na opinião popular.


QUE O STF JULGUE DE ACORDO COM A OPINIÃO PÚBLICA  OU, ENTÃO, ADMITA QUE AS LEIS NÃO SÃO FEITAS PARA ATENDER A POPULAÇÃO.






segunda-feira, 30 de julho de 2012

Hora da Verdade - Ricardo Noblat


Filho, filho meu,
existe alguém mais salafrário do que eu?


"O julgamento dos mensaleiros é também o julgamento de L.I. e do PT.
O JULGAMENTO marcado para começar nesta quinta-feira não revelará o PT que temos por que esse já sabemos qual é. Revelará o STF que temos."


Hora da Verdade, por Ricardo Noblat
Já valeu!  No país da jabuticaba e do jeitinho, do esperto que leva vantagem em tudo e da impunidade que beneficia os mais influentes e endinheirados, dá gosto ver 38 notáveis do governo passado enfrentando anos de incerteza quanto ao seu futuro próximo.  Na condição de réus são acusados pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.  Acabarão condenados?  Foram condenados, embora possam ser absolvidos pela Justiça.
Lembra-se de Fernando Collor? 
ACUSADO DE CORRUPÇÃO, Fernando Collor renunciou ao cargo de presidente para escapar do impeachment no Senado. Ignorou-se sua carta-renúncia. Decisão política, meus caros!  O mandato de Collor foi cassado por larga margem de votos. Mais tarde, o Supremo Tribunal Federal (STF) o absolveu por falta de provas de que prevaricou.

MUDOU A SITUAÇÃO de Collor? Ele passou a ser apontado como uma triste inocente vítima de escandalosa injustiça?  Collor pode se reeleger senador em seu Estado quantas vezes queira ou quantas os alagoanos desejem. E ser tratado pelos poderes da República com as mesuras reservadas a todo ex-presidente.  Pouco importa. Daí não passará.   Está escrito com tinta irremovível na memória coletiva que ele deixou roubar antes e durante o seu governo. E que desfrutou do roubo. Isso é suficiente para impedi-lo de sonhar com a recuperação da sua imagem.
AS PRERROGATIVAS dele são iguais às dos seus colegas.  Nem por isso Collor é igual a eles.  O "caçador de marajás"  foi uma fraude.  Hipnotizou a maioria dos brasileiros ansiosos por mudanças.  Os candiedatos da mudança foram para o  segundo turno.  Collor venceu L.I. (OBSERVAÇÕES: 1  - perdão ao repórter pela impossibilidade de escrever da mesma forma que colocou em seu artigo - vai o L.I. mesmo;  2  - quem tem o carisma que afirmam ser característica de L.I. jamais perderia quatro eleições seguiidas, como foi o caso de L.I.; há uma diferença muito grande entre ter carisma e saber manipular as mentes obscuras através da mídia).

POR QUE L.I. , que considerou 'prática inceitável' o suborno de parlamentares, confessou sentir-se traído por antigos companheiros e foi à televisão pedir desculpas, por que ele agora se refere ao mensalão como uma farsa montada com o propósito de derrubé-lo?  O que o fez mudar de lado?

NÃO VALE responder que L.I. é uma 'metamorfose ambulante'.  A verdade - ou algo parecido: o julgamento dos mensaleiros é também o julgamento de L.I. e do PT.  Lula quer ser lembrado como o "pai dos pobres". Não como o chefe dos mensaleiros. Nem dos aloprados. Nem...

O JULGAMENTO marcado para começar nesta quinta-feira não revelará o PT que temos por que esse já sabemos qual é. Revelará o STF que temos. Um STF capaz de ignorar o clamor popular pela condenação dos acusados - e assim afirmar sua independência. Ou um STF capaz de ouvir o clamor - e assim dar o basta mais forte à impunidade.

DA REDEMOCRATIZAÇÃO do país para cá, dois dos três poderes da República se viram expostos a sucessivas avaliações da sociedade – o Executivo e o Legislativo. Esse último foi reprovado todas as vezes.  Chegou a hora do Judiciário, o poder mais refratário a qualquer tipo de exame . O mais fechado. O mais autocrático.  Oremos!