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E já para o castigo. De joelho no milho, agora mesmo, até a aprender a deixar de ser mentiroso.
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E já para o castigo. De joelho no milho, agora mesmo, até a aprender a deixar de ser mentiroso.
... ou aqueles que gostariam de saber o que é isto.
Alberto Villas, jornalista da pesada, há dois anos lançou o livro "O mundo acabou" e ficou meses na lista dos mais vendidos. Nada de muito complicado, como é da índole das boas idéias. Villas relacionava coisas desaparecidas, como uma latinha de Neocid, aula de catecismo e a meia-sola. Suspirava saudade enquanto cerzia a meia no ovo de madeira. Acreditava, como eu, que o Flit e o flerte guiavam a Humanidade no fito dos bons propósitos. Hoje, no momento em que eles se foram, ficamos assim. Fritos.
Um dia fomos tomar uma banana split no prédio da Mesbla, no Passeio, e Alberto sentiu que estava diante do homem certo. Primeiro, como se quisesse dar solenidade ao momento, ele cofiou o bigode com um pente de plástico Flamengo. Depois, puxou uma folha de papel almaço que trazia num dos bolsos da japona e pediu que eu assinasse ali, ao pé do contrato, um compromisso para redigir a orelha do livro. Fiquei lisonjeado, sorri aquele branco de quem passava carvão nos dentes, orgulhoso até o vinco da calça, e fi-lo imediatamente com a minha Parker 61, aquela da flechinha na ponta,, embebida em Super Quink. Pus aos pés o jamegão. Passei o mata-borrão para secar o excesso do azul real lavável e apertamo-nos as mãos, com os pronomes pessoais no caso oblíquo estalando na ponta da língua como se fosse uma argüição oral.
O livro deu certo, e eu, na modéstia dos leoninos do segundo decanato, achei que tinha funcionado para o projeto como um chaveiro com pé de coelho, um Mug Simonal ou aquele indiozinho que dava cor tropical às transmissões da TV Tupi. Fui regiamente pago com uma blusa Ban Lon vinho, um almanaque dos Sobrinhos do Capitão e um vasilhame de leite
CCPL. Não precisava tanto, mas o Alberto é um cara criado com mingau de aveia Quaker para sustentar a musculatura e a oração de Julio Louzada para nortear os princípios da alma. Nunca o acometeu uma espinhela caída de doença ou crime ético de colocar gilette na rabiola da pipa. Um homem digno, desses que não seriam empregados em qualquer organização do Daniel Dantas.
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Eis que agora Alberto, que como todo mundo está saturado de vida real, que como todo mundo não agüenta mais abrir o jornal e ser informado de que de todas as nostalgias apenas a do bicho-papão
de fato existe - eis que ele prepara outra edição, com o título de "O mundo acabou de novo". É o "vamos fugir” de 2008. Para o Parque Xangai, no Rio, ou para o circo do Henrique e Arrelia, em São Paulo, mas longe de qualquer bala perdida. Alberto quer descansar um pouco da obrigação profissional de informar dos corruptos, dos canalhas, dessa tralha que nem a lavadora Bendix nem a sua água sanitária Super Globo dão jeito.
Parece que ele agora vai se dedicar mais a colecionar expressões desaparecidas por carregar em no bojo sentimentos ou objetos já incompreensíveis para os jovens. "Esse filme é um abacaxi", "Ele passou para o científico", "Eu quero uma ligação para Recife", "Eu quero é mocotó".
No novo livro, Albert suspirará saudoso pelo tempo em que as visitas pediam permissão para ir à casinha ou, diante de moça recém-casada, perguntavam se já tinha encomendado à cegonha. Havia pundonor, enteroviofórmio, emplastro e pedrinha no feijão. Mas não esse medo nauseabundo de ser morto pela PM no meio da rua. Não é escapismo, nada ver com a celebração do paraíso de 1958, mas um jeito de se pegar de novo a idéia da coisa - e, pela divulgação da lembrança, fazer com que o cotidiano das cidades volte a ser um quintal feliz.Alguém escreveu outro dia "Saudade da gonorréia" num muro de São Paulo. Alberto, mais elegante, comparando os medos de hoje com os de antanho, certamente grafitaria a nostalgia do medo maior de uma criança: "Saudade da carrocinha de cachorro". O resto era uma civilização envolta na seda azul do papel que envolvia a maçã.
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"O mundo acabou de novo" sai nos próximos meses e é mais uma tentativa bem-humorada de, através da memória de nossas inocências, de nossos pirulitos de chocolate da Kibon, chamar a assistência para que o doutor aplique uma pílula de vida em nossas existências moribundas. É uma tentativa de se chamar a rádiopatrulha para pôr ordem na barafunda deste condomínio e fazer com que se responda, sem mágoa, mas com indignação de um Mario Vianna, à pergunta que não quer calar: cadê o toucinho que estava aqui?

Às vezes uma simples imagem diz mais que palavras, como foi o caso da montagem acima. Ao iniciar os comentários sobre o assunto, encontrei a opinião de Pluschkatt, Leonardo e Alexander.
Abaixo a transcrição de alguns trechos do que escreveram (em azul) seguidos de comentários :
Pluschkatt: A ilação desta foto atenta contra a dignidade do Judiciário. Gilmar Mendes é um dos melhores juristas de nosso país. ... Gilmar Mendes julgou conforme a lei e não ao arrepio da lei ... Se Dantas e cia, são bandidos, que arrumem provas e cana neles.
1 - Existe uma frase antiga que diz "Ninguém é culpado até prova em contrário.", o que é bem diferente da alegação de que o indivíduo só pode ser considerado culpado após julgamento em última instância. Este argumento serve apenas aos podero$o$, pois os bandidos comuns são presos e aguardam julgamento final no xilindró. No caso do podero$o Daniel Dantas, o que não faltam são provas.
2 - O Ministro Gilmar Mendes é contra a divulgação da lista de candidatos com nome sujo. Sua preocupação são as possíveis injustiças que tal informação pode causar a esta minoria que concorre a cargos políticos, numa demonstração de desprezo ao interesse da grande parte da sociedade, que são os eleitores, em se informar sobre a conduta de nossos futuros representantes. Existe uma lei natural que diz "deve sempre prevalecer a maioria".
3 - Será Gilmar Mendes um grande jurista?
Notícia que saiu no jornal Estado de São Paulo:
STF arquiva processos contra Gilmar Mendes : André Raboni - 14/03/08 O Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou ontem dois processos por improbidade administrativa contra seu presidente recém-eleito, Gilmar Mendes. No primeiro, o Ministério Público acusava-o de em 2002 negar-se a passar documentos da Advocacia-Geral da União, que comandava, para investigação sobre suposta contratação irregular de funcionários. O segundo acusava Mendes, como advogado da União, de lecionar durante o horário de trabalho no Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual é sócio-cotista. Os ministros concluíram que autoridades não podem ser processadas por improbidade, só por crime de responsabilidade. E só pode ser punido quem exerce o cargo. Como Mendes já deixou a AGU, as ações caducaram. Nada melhor do que ter as leis em suas mãos .
Leonardo "...quem atenta contra alguma coisa é a própria pessoa com atitudes e preocupações nem sempre honestas..." "... mas só o fato de tentar um suborno com tanto dinheiro vivo.. já indica que ele tem culpa de alguma coisa."
Interesssante é ninguém se mostrar revoltado quando um pobre ladrão pobre é jogado dentro do camburão após ter sido apenas acusado de roubo ou assassinato, muito antes de ter sido julgado. Em nosso país, há tratamento diferenciado: ricos devem aguardar julgamento em liberdade, enquanto os pobres...