Este espaço é desaconselhável a menores de 21 anos,
porque a história de nossos políticos
pode causar deficiência moral irreversível.

É a vida de quengas disfarçadas de homens públicos; oportunistas que se aproveitam de tudo e roubam sem punição. Uma gente miúda com pose de autoridade respeitável, que engana o povo e dele debocha; vende a consciência e o respeito por si próprios em troca de dinheiro sujo. A maioria só não vende o corpo porque este, além de apodrecido, tem mais de trinta anos... não de idade, mas de vida pública.


quarta-feira, 23 de julho de 2008

O chulé presidencial e a Câmara FEDEral

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Luís Inácio acaba de assinar decreto com multas pesadas aos infratores ambientais, em que serão punidas também as empresas que emitem mau cheiro. Como nosso presiMente não perderia a ocasião para fazer uma de suas cenas de astro-pop, plantou um pé de ipê roxo no Centro de Triagem de Animais Silvestres, e foi chamado por Carlos Minc (o Ministro que pede licença em público para fazer o que ninguém pode fazer por ele) de ecopresidente. Em seguida, quando os repórteres perguntaram ao Ministro que árvore Luís Inácio estava plantando, Minc brincou e disse "é um pé de meia".
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Fotos tão lindas quanto as de ipê roxo não merecem estar no meio de comentários sobre política, mas nos fazem esquecer, por pouquíssimos segundos, de tanta sujeira.. ***

Juntando a referência às empresas que emitem mau cheiro, com a brincadeira sobre o pé de meia que estaria sendo plantado, na mesma hora me ocorreu um fato narrado no livro "Viagens com o Presidente" (pág.109), em que a deselegância de Luís Inácio, acompanhada da necessidade doentia de aparecer, ainda que de forma grotesca, se evidenciou mais uma vez.
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O deputado e ex-sindicalista Vicentinho (PT-SP) contou a um grupo de repórteres como foi o retorno de uma viagem à África. "Ao cruzar o Atlântico, Lula deixou a cabine presidencial demonstrando tristeza e com uma meia na mão direita: - Companheiros, acho que estou com chulé."

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Como é injusto punir apenas as empresas, aconselho nosso presiMente a incluir, nesse decreto que foi assinado, tanto multas quanto outros tipos de punição ao Congresso FEDEral. Certamente nenhuma empresa consegue poluir tanto o ambiente quanto fazem esses parlamentares, principalmente nos dias em que muitos deles comparecem ao seu "local de trabalho", como nos dias de nos impor decisões que os favorecem e conseqüentemente nos prejudicam.

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terça-feira, 22 de julho de 2008

Pinóquio deve estar morrendo de inveja

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Nota antecipada:
Para evitar que se torne um plágio presunçoso, é preciso avisar que a repetição da palavra mente e mentir no texto abaixo, é inspirada no Poema da Mente Deficiente, de Affonso Romano de SantAnna.
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Depois de toda a confusão provocada com a prisão de Daniel Dantas, Luís Inácio permitiu a divulgação de quatro longos minutos da reunião de quase três horas em que foi decidido o afastamento do delegado da Polícia Federal, responsável pelo incômodo causado ao pobre homem. A gravação, logicaMENTE, desMENTE o presiMENTE que afirmou anteriorMENTE que o delegado Protógenez Queiroz havia se afastado por vontade própria.
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O presiMente, muito burraMente, acreditou que um trecho tão pequeno da gravação não poderia desMENTIR mais uma de suas MENTIRAS, o que certaMente não fará diferença alguma, afinal o presiMente mente tão bem que consegue convencer a si próprio.
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Após reunião com nosso presiMente, que os chamou para acabar com a briga em torno do prende-solta do banqueiro, Tarso Genro e Gilmar Mendes enfim descobriram como o amor é lindo... quando interessa.

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E, como a mentira é irmã gêmea da tapeação, o Banco Central afirmou que Daniel Dantas não é um banqueiro. Segundo o BACEN, Daniel Dantas é mero cliente do banco e a ele só pertence a marca Opportunty (esta notícia escabrosa está no blog da Miriam Leitão de ontem). Sabe-se lá qual foi o milagre (nada divino) que o empobreceu, mas a única verdade nessa esculhambação toda é que, mais de uma vez nos últimos anos, Daniel Dantas teve direito a reembolso do que pagou ao Imposto de Renda. Enquanto isso, quem trabalha e recebe um reles salário, um pouquinho melhor, é obrigado a deixar parte do seu dinheiro nos cofres da União para ser gasto com uma patota de nível cada vez mais baixo. Essa gentalha vai desde a ministra do relaxa e goza, até o outro que pede licença em público para ... fazer o que ninguém pode fazer por ele. Com todo respeito - a quem lê este blog, não a eles -, Carlos Minc é o responsável por esta última cagada.
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Só para terminar de vez com este assunto,
porque ninguém o suporta mais (nem eu),
uma pequena historinha, bem atual e oportuna,
sobre a Justiça Nacional:
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No dia 29 de junho, Gilmar Mendes estava passeando na orla da praia, em Fortaleza, quando um rapaz de dezoito anos tentou roubar seu cordão de ouro. Imediatamente seus seguranças o prenderam. O aprendiz de meliante, réu primário, foi preso e indiciado por tentativa de assalto, sem direito a habeas corpus. Até a última sexta-feira (dia 18 de julho) ao rapaz não tinham permitido nem a visita de seu pai. Bem feito, quem manda não ser um ladrão beneficiado pela Justiça como políticos e certos banqueiros.

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Q U A N T O D E B O C H E !

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Mão à palmatória e castigo no milho

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Versinho de botequim, bem de acordo com essa política chinfrim.
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Em mais de uma suas mentiras escrachadas, Luíz Inácio afirma que o delegado da PF - junto com dois auxiliares - é afastado do caso Daniel Dantas por vontade própria. E ainda, seguindo sua característica autoritária e arrogante diz:
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""Acho que "esse" delegado tem que ficar no caso. “Esse cidadão” não pode, depois de fazer uma investigação de quase quatro anos, na hora de finalizar o relatório, dizer “eu vou embora fazer meu curso” (desculpa usada para o afastamento) e ainda dar vazão a insinuações de que foi tirado. ... A não ser que ele não queira e diga que não quer.""
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Mas, está gravado – e todos ouvimos – que o delegado não quer se afastar do caso antes que esteja terminado. MENTE, mais uma vez, presiMente.
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Seguindo a inspiração de Joaquim Ferreira dos Santos (que não merece ter seu nome citado neste capítulo ... relembro os tempos da palmatória e a época em que crianças levadas ou mentirosas ficavam de castigo ajoelhadas em caroços de milho.
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E já para o castigo. De joelho no milho, agora mesmo, até a aprender a deixar de ser mentiroso.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Para quem conheceu a ingenuidade...

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... ou aqueles que gostariam de saber o que é isto.

Texto escrito por Joaquim Ferreira dos Santos num momento de saudade dos velhos tempos
e extrema inspiração.
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O toucinho que estava aqui ***
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Alberto Villas, jornalista da pesada, há dois anos lançou o livro "O mundo acabou" e ficou meses na lista dos mais vendidos. Nada de muito complicado, como é da índole das boas idéias. Villas relacionava coisas desaparecidas, como uma latinha de Neocid, aula de catecismo e a meia-sola. Suspirava saudade enquanto cerzia a meia no ovo de madeira. Acreditava, como eu, que o Flit e o flerte guiavam a Humanidade no fito dos bons propósitos. Hoje, no momento em que eles se foram, ficamos assim. Fritos.
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Um dia fomos tomar uma banana split no prédio da Mesbla, no Passeio, e Alberto sentiu que estava diante do homem certo. Primeiro, como se quisesse dar solenidade ao momento, ele cofiou o bigode com um pente de plástico Flamengo. Depois, puxou uma folha de papel almaço que trazia num dos bolsos da japona e pediu que eu assinasse ali, ao pé do contrato, um compromisso para redigir a orelha do livro. Fiquei lisonjeado, sorri aquele branco de quem passava carvão nos dentes, orgulhoso até o vinco da calça, e fi-lo imediatamente com a minha Parker 61, aquela da flechinha na ponta,, embebida em Super Quink. Pus aos pés o jamegão. Passei o mata-borrão para secar o excesso do azul real lavável e apertamo-nos as mãos, com os pronomes pessoais no caso oblíquo estalando na ponta da língua como se fosse uma argüição oral.
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O livro deu certo, e eu, na modéstia dos leoninos do segundo decanato, achei que tinha funcionado para o projeto como um chaveiro com pé de coelho, um Mug Simonal ou aquele indiozinho que dava cor tropical às transmissões da TV Tupi. Fui regiamente pago com uma blusa Ban Lon vinho, um almanaque dos Sobrinhos do Capitão e um vasilhame de leite CCPL. Não precisava tanto, mas o Alberto é um cara criado com mingau de aveia Quaker para sustentar a musculatura e a oração de Julio Louzada para nortear os princípios da alma. Nunca o acometeu uma espinhela caída de doença ou crime ético de colocar gilette na rabiola da pipa. Um homem digno, desses que não seriam empregados em qualquer organização do Daniel Dantas.

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Eis que agora Alberto, que como todo mundo está saturado de vida real, que como todo mundo não agüenta mais abrir o jornal e ser informado de que de todas as nostalgias apenas a do bicho-papão de fato existe - eis que ele prepara outra edição, com o título de "O mundo acabou de novo". É o "vamos fugir” de 2008. Para o Parque Xangai, no Rio, ou para o circo do Henrique e Arrelia, em São Paulo, mas longe de qualquer bala perdida. Alberto quer descansar um pouco da obrigação profissional de informar dos corruptos, dos canalhas, dessa tralha que nem a lavadora Bendix nem a sua água sanitária Super Globo dão jeito.

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Parece que ele agora vai se dedicar mais a colecionar expressões desaparecidas por carregar em no bojo sentimentos ou objetos já incompreensíveis para os jovens. "Esse filme é um abacaxi", "Ele passou para o científico", "Eu quero uma ligação para Recife", "Eu quero é mocotó".

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No novo livro, Albert suspirará saudoso pelo tempo em que as visitas pediam permissão para ir à casinha ou, diante de moça recém-casada, perguntavam se já tinha encomendado à cegonha. Havia pundonor, enteroviofórmio, emplastro e pedrinha no feijão. Mas não esse medo nauseabundo de ser morto pela PM no meio da rua. Não é escapismo, nada ver com a celebração do paraíso de 1958, mas um jeito de se pegar de novo a idéia da coisa - e, pela divulgação da lembrança, fazer com que o cotidiano das cidades volte a ser um quintal feliz.
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Alguém escreveu outro dia "Saudade da gonorréia" num muro de São Paulo. Alberto, mais elegante, comparando os medos de hoje com os de antanho, certamente grafitaria a nostalgia do medo maior de uma criança: "Saudade da carrocinha de cachorro". O resto era uma civilização envolta na seda azul do papel que envolvia a maçã.

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"O mundo acabou de novo" sai nos próximos meses e é mais uma tentativa bem-humorada de, através da memória de nossas inocências, de nossos pirulitos de chocolate da Kibon, chamar a assistência para que o doutor aplique uma pílula de vida em nossas existências moribundas. É uma tentativa de se chamar a rádiopatrulha para pôr ordem na barafunda deste condomínio e fazer com que se responda, sem mágoa, mas com indignação de um Mario Vianna, à pergunta que não quer calar: cadê o toucinho que estava aqui?