– Depois, é só falar no PAC nos palanques. Ninguém viu esse PAC, mas algum jornalista tem saco de ir conferir, pedir uma lista de obras? De modo que tudo vai indo bem. "Virtualmente". Eu aprendi isso com os intelectuais: "simulacros pós-modernos". Há, há, há...
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– E você aí, cumpanheiro Severino Cavalcanti!!!. Severino ali sentado, meu povo, palmas para ele! ‘traído pela oposição’! Agora, vem cá, Severino... Eu te elogiei porque preciso dos votos que tu tem ainda no PMDB, hein... E também para fu&er com o Gabeira lá no Rio; ele que te enxotou da Câmara; porque eu prefiro entregar o Rio para a Igreja Universal do Crivella do que para ele... Agora, tu é um babaca mesmo, hein?... Comendo de graça no restaurante da Câmara por dez "milzinho"... Tu comia o quê? Macarrão, estrogonofe? Ahh, Severino, eu gosto de você porque você é o "anti eu", tu é o pau-de-arara burro que, em vez de dar gorjeta ao garçom, tu levava a gorjeta... Há, há, há... Gosto de olhar para você, para ver como eu venci... Eu sou f%da!!!
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– Você também, Renan... Eu deixei você aparecer com essa cara de vítima atrás de mim e te elogiei porque também preciso de votos do PMDB, mas tu é outro otário. Porra, tu não podia pagar normalmente a mulher? Tinha de ser propina? Tu é rico paca, dono de uma cidade, tu parou o Congresso sete meses e eu tive de agüentar!! Só tenho inveja da mulher lá que tu chamou de "gestante"... Boa paca! E aí, conta, como é que rolava? Disso eu tenho inveja. Presidente não come ninguém... Sou vigiado o dia inteiro... Eu e o Bush... É isso, aí, Bushão – traduz aí, Amorim: "Porra, Bush, tu não come ninguém! Por isso, tu invadiu o Iraque!"....
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– Ai, meu Deus... Que delícia... Eu posso tudo, eu virei um "maquiavel-macunaíma", como escreveu um idiota outro dia... Eu até gostei do apelido... Eu tenho o design perfeito para isso. "Lula" é um nome doce, carinhoso, familiar. "Lula" é fácil de entender. Eu sou o povo. Sou um fenômeno de fé. Quanto mais me denunciam, mais eu cresço. Posso tudo, posso mentir, preciso até da mentira para que o ‘sistema’ não caia, para que eu me faça sucesso. Eu minto em nome de uma verdade maior! Eu desmoralizei escândalos, vulgarizei alianças, subverti tudo, inclusive a subversão. Eu ponho qualquer chapéu. Olha o que o babaca do Jabor escreveu outro dia: "Lula representa uma nova de forma de "bonapartismo", um poder vertical em torno de uma liderança carismática, cuja legitimidade se funda na vontade do povo do qual ele seria o representante, acima dos políticos. Estamos assistindo a um bonapartismo de vaselina". Sei que ele é uma besta, mas aqui ele tem razão. Eu inventei isso.
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– Eu me sinto acima de todos vocês, acima das mesquinharias da política real. Ninguém pode ser contra mim, porque eu sou a "favor" de tudo. Não erro porque não faço nada. A economia cresce e distribuo bolsas... Arrasei a oposição, que não sabe a quem se opor... Ninguém tem palavras para exprimir indignação, ou, melhor, ninguém tem mais indignação para ser expressar por palavras. Consegui uma grande anestesia no país, satisfeito, mas que não sabe o que está perdendo, o que poderia ser realizado, reformado, com tanta grana entrando... Mas eu não quero aporrinhação...
– E nos jornais e revistas perguntam-me a causa de minha recente indignação, com tanto Ibope. Perguntam por que eu defendo vagabundos? Só digo a você, espelho meu, aqui, nesta madrugada no Alvorada, aqui, nu diante do meu espelho mágico, agora que a Mariza está dormindo... Eu sou milhares... Eu sou legião, refletido em mil imagens... Defendo o indefensável porque tenho a volúpia de dizer o impensável, privilégio dos "césares". Eu estou acima da moralidade, se elogio o ladrão, eu purifico o cara, como uma bênção... Confesso, também, espelho meu, que eu, operário que venceu, sem diploma, curto minha vingança e sonho também (ainda não decidi) com a aclamação total para um terceiro mandato... Eu em 2010? Que achas, espelho meu?
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Arnaldo Jabor
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Ao ler a frase de Jabor "sonho também (ainda não decidi) com a aclamação total para um terceiro mandato" percebi que não sou uma única visionária, como muitos devem pensar. É só esperar mais dois anos, que passam rápido, para ver. Porém, caso isso não aconteça - e não vai acontecer - Luís Inácio vai saber como se sair bem da situação, perante os expectadores. Mas certamente vai encher a cara de uísque (sua bebida predileta) na tentativa de esquecer sua frustração. Principalmente se não puder, com alívio, se ver na presidência Mercosul.